domingo, 30 de setembro de 2007
Por vezes
Às vezes, eu finjo saber, ter entendido, ter escutado, mas, já percebi que não costumo convencer.
Ás vezes, finjo sentir o que não sinto, e começo a sentir o que finji, mas, as vezes nem finjir eu consigo.
Às vezes, me falam, mas não concordo, posso ficar até um pouco indignada, mas às vezes, passo a concordar, mesmo tendo descordado.
Às vezes, finjo que não vejo, se faço isso, é pq não é importante, ou, não é mais.
Às vezes, tenho que fazer o que eu não quero e/ou acredito, e isso me deixa em crise, ou não.
Às vezes, sou antipática, de propósito, por não querer fazer a “social”.
Às vezes, tenho pensamentos horríveis, e às vezes, me martirizo por isso, às vezes não.
Às vezes, na maioria delas, sou contraditória, mesmo, às vezes não querendo ser.
Às vezes, mesmo não gostando muito do (censo) comum, sou um tanto clichê, e às vezes, até gosto das clichesices.
Às vezes, mesmo achando que todos têm que poder escolher o que querem, oprimo-as e/ou pressiono-as.
Às vezes, penso em desistir de tudo, mesmo sabendo que eu não conseguiria, acho eu.
Às vezes, queria seguir o mais fácil, mesmo sabendo que o fácil é mais monótono, previsível, alienador, e que eu anularia meus desejos e pensamentos intermináveis.
Às vezes, prefiro não pensar e apenas sentir.
Às vezes, prefiro não sentir e apenas pensar.
Às vezes, prefiro apenas não pensar e/ou não sentir.
Ás vezes, finjo sentir o que não sinto, e começo a sentir o que finji, mas, as vezes nem finjir eu consigo.
Às vezes, me falam, mas não concordo, posso ficar até um pouco indignada, mas às vezes, passo a concordar, mesmo tendo descordado.
Às vezes, finjo que não vejo, se faço isso, é pq não é importante, ou, não é mais.
Às vezes, tenho que fazer o que eu não quero e/ou acredito, e isso me deixa em crise, ou não.
Às vezes, sou antipática, de propósito, por não querer fazer a “social”.
Às vezes, tenho pensamentos horríveis, e às vezes, me martirizo por isso, às vezes não.
Às vezes, na maioria delas, sou contraditória, mesmo, às vezes não querendo ser.
Às vezes, mesmo não gostando muito do (censo) comum, sou um tanto clichê, e às vezes, até gosto das clichesices.
Às vezes, mesmo achando que todos têm que poder escolher o que querem, oprimo-as e/ou pressiono-as.
Às vezes, penso em desistir de tudo, mesmo sabendo que eu não conseguiria, acho eu.
Às vezes, queria seguir o mais fácil, mesmo sabendo que o fácil é mais monótono, previsível, alienador, e que eu anularia meus desejos e pensamentos intermináveis.
Às vezes, prefiro não pensar e apenas sentir.
Às vezes, prefiro não sentir e apenas pensar.
Às vezes, prefiro apenas não pensar e/ou não sentir.
terça-feira, 24 de julho de 2007
Pout Pourri do ACM - E a nação brasileira lamenta a morte de um dos maiores picaretas do país
“Não, não dá para pensar em golpe”, responde o senador Antonio Carlos Magalhães a uma indagação sobre a possibilidade de se tirar Luiz Inácio Lula da Silva do poder à força. Há apenas seis meses, parece que dava.
“Reajam, comandantes militares, reajam enquanto é tempo, antes que o Brasil caia na desgraça de uma ditadura sindical presidida pelo homem mais corrupto que já chegou à Presidência da República” disse quando militantes do Movimento de Libertação dos Sem-Terra, MLST, invadiram e depredaram a Câmara Federal
“Depois da reeleição do Lula, a única coisa que dá para fazer é marcar posição” disse ao traçar com gosto um filé mal passado no seu gabinete no Senado.
“Mas não quero ficar sozinho” diz ao decidir ficar na oposição, depois que Paulo Souto, o seu candidato à reeleição para o governo baiano, saiu da disputa já no primeiro turno, derrotado pelo petista Jacques Wagner e seu candidato à Presidência, o tucano Geraldo Alckmin, perdeu para Lula em 415 dos 417 municípios baianos.
Com esse intuito, foi procurar FHC. Queria uma conversa discreta, mas o ex-presidente sugeriu um almoço no restaurante Massimo, em São Paulo — encontro largamente divulgado nas colunas de fofocas políticas. O senador diz que FHC e ele concordam que é preciso fazer oposição intransigente ao governo federal.
“Mas diga que um encontro agora não seria útil nem para ele, nem para mim”, instruiu um amigo a dizer a Tarso Genro. Mesmo depois de ter registrado com satisfação o fato de o ex-presidente ter declinado da sugestão de Lula para um encontro. Mas puxar a fila dos oposicionistas intransigentes não significa que tenha se negado, em alto e bom som, ao encontro com o petista, de qualquer forma aceitaria o convite com o maior prazer.
“Fui enganado pelo José Dirceu e pelo Palocci”, conta que no governo Lula, não se recusou a encontrar, discretamente, ministros petistas. E se deu mal.
“Pois não é que, depois, o Dirceu vai e me esculhamba no blog dele?”, solta logo após comentar que jantou algumas vezes com Dirceu, que lhe pedia orientação e apoio, e que em uma certa noite, chegou a verter lágrimas sentidas, na presença do senador, ao relatar humilhações que o presidente lhe impunha.
“Fiquei com a brocha na mão”, diz sobre o fato do caseiro Francenildo Costa afirmar que Palocci freqüentava a sede brasiliense da República de Ribeirão Preto e fazer picadinho da credibilidade do ministro, que havia saído em defesa de Palocci.
“Mas os tucanos preferiram preservar o Eduardo Azeredo a lutar pelo impeachment.” julgando que quando o mensalão e o valerioduto foram expostos, era obrigação do PSDB e do PFL entrar com um pedido de destituição do presidente.
ACM diz que não tem medo de ficar sozinho na oposição. Seu novo encontro com as urnas será em 2010. “Até lá, garanto que não estarei mais sozinho.”
Adaptação do texto “Longe do poder – ACM desiste do golpe e se queixa da oposição”, publicado na revista Piauí_dezembro 06
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Nicks (de msn) de luto:
Morto!!! - Por Senai
Finalmente...ACM que o diabo faça seu rabo pegar fogo!!!!!! - Por Rafa
Morreu ACM? E nada valeu a pena hein cuzão. – Por Tays
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Música In memorian:
Por Bruno Jezuscrust - giveitrevolution.blogspot.com - www.fotolog.com/brunobrow - 20/07/2007
TODO MUNDO VAI APODRECER UM DIA
Ei cara, o que você pensa?
Você não é o superhomem, não
Você é feito de carne
E você é feito de ossos
Sua carcaça não é diferente
da minha ou de ninguém mais
Agora, você também pode ver
quão fraco você é, já era
Todo mundo vai apodrecer um dia
Eu não estava preocupado
pois eu sempre soube
algum dia sua vez chegaria
e não haveria escapatória pra você
Eu nunca rezei por isto
mas eu admito, eu ri
Da mesma forma que você riu
quando viu meus amigos na podridão
mas
Todo mundo vai apodrecer um dia
Haha! Eu não pude te vencer
mas o tempo com certeza iria
desvie desta!
desvie da bala do tempo
Todo mundo vai apodrecer um dia, filho da puta!
Ei cara, o que você pensa?
Você não é o superhomem, não
Você é feito de carne
E você é feito de ossos
Sua carcaça não é diferente
da minha ou de ninguém mais
Agora, você também pode ver
quão fraco você é, já era
Todo mundo vai apodrecer um dia
Eu não estava preocupado
pois eu sempre soube
algum dia sua vez chegaria
e não haveria escapatória pra você
Eu nunca rezei por isto
mas eu admito, eu ri
Da mesma forma que você riu
quando viu meus amigos na podridão
mas
Todo mundo vai apodrecer um dia
Haha! Eu não pude te vencer
mas o tempo com certeza iria
desvie desta!
desvie da bala do tempo
Todo mundo vai apodrecer um dia, filho da puta!
terça-feira, 17 de julho de 2007
Começo Meio Fim?
Parece que sempre nos preocupamos com fins e finais. Finais de histórias, de questionamentos, de filmes, de textos, de livros, de peças teatrais, de pensamentos. Alguns, chegam a dizer que o final estragou todo o resto.
Mas, a história em si deveria ser muito mais importante que o final, o que distingue
as vitórias
derrotosas
vitórias
vitoriosas
derrotas
derrotosas
é o desenrolar da história, e não, exatamente o seu final.
Devo confessar que também estou condicionada, como a maioria das pessoas, a me preocupar mais com fins e finais do que os meios, mas, isso é racional demais.
Ultimamente tenho percebido minhas explicações racionais para tudo que faço e isso está totalmente ligados a fins e finais.
*tentando descondionar-se*
escritos sem razão, sem por quê, sem final
relações sem fins
histórias ótimas e sem final
conversas sem conclusões
pensamentos ecoando
“Seus ‘fracassos’ oficiais, assim como as suas ‘vitórias’ oficiais, devem ser julgados à luz de seus prolongamentos, e suas verdades devem ser restabelecidas. Podemos portanto afirmar que ‘existem derrotas que são vitórias e vitórias mais vergonhosas que derrotas’(Karl Liebknecht, na véspera de seu assassinato).”
Trecho extraído do texto “A miséria do meio estudantil”, Internacional Situacionista, Strasbourg, Novembro de 1966
Mas, a história em si deveria ser muito mais importante que o final, o que distingue
as vitórias
derrotosas
vitórias
vitoriosas
derrotas
derrotosas
é o desenrolar da história, e não, exatamente o seu final.
Devo confessar que também estou condicionada, como a maioria das pessoas, a me preocupar mais com fins e finais do que os meios, mas, isso é racional demais.
Ultimamente tenho percebido minhas explicações racionais para tudo que faço e isso está totalmente ligados a fins e finais.
*tentando descondionar-se*
escritos sem razão, sem por quê, sem final
relações sem fins
histórias ótimas e sem final
conversas sem conclusões
pensamentos ecoando
“Seus ‘fracassos’ oficiais, assim como as suas ‘vitórias’ oficiais, devem ser julgados à luz de seus prolongamentos, e suas verdades devem ser restabelecidas. Podemos portanto afirmar que ‘existem derrotas que são vitórias e vitórias mais vergonhosas que derrotas’(Karl Liebknecht, na véspera de seu assassinato).”
Trecho extraído do texto “A miséria do meio estudantil”, Internacional Situacionista, Strasbourg, Novembro de 1966
terça-feira, 10 de julho de 2007
terça-feira, 3 de julho de 2007
Ilusão de Verdade
Apesar de todos morarmos no mesmo planeta, eu vivo em um mundo, minha mãe vive em outro e você vive em outro bem diferente.
Estas palavras aqui escritas, pra mim significam uma coisa, pra você que está lendo pode significar algo totalmente diferente.
Tudo e qualquer coisa pode ter milhares de significados. Despende da pessoa que está analisando, do aspecto a ser analisado, do momento que está sendo analisado, do ângulo analisado e etc
Toda verdade pode ser ilusão e toda ilusão pode ser verdade.
Quem vai definir o que é verdade ou ilusão?
Pode Acreditar - Nação Zumbi
Estas palavras aqui escritas, pra mim significam uma coisa, pra você que está lendo pode significar algo totalmente diferente.
Tudo e qualquer coisa pode ter milhares de significados. Despende da pessoa que está analisando, do aspecto a ser analisado, do momento que está sendo analisado, do ângulo analisado e etc
Toda verdade pode ser ilusão e toda ilusão pode ser verdade.
Quem vai definir o que é verdade ou ilusão?
Pode Acreditar - Nação Zumbi
ela vem pelo ar, pelo chão
traz até alegria pra alguns
pra acabar com a verdade
inocente mente comprada
atingindo até os corações
das certezas traídas
e à céu aberto
não sobra nada pro vero-vero
tem mais notícias pra voce
pode acreditar
só a mentira vai saber dizer
dizer
dizer
e no meio dia, aos olhos do mundo
fazendo efeito instantâneo
certeira como a carta marcada
com toda alegoria
só pra convencer, só pra convencer
Tem mais notícias pra voce. Pode acreditar, só a mentira vai saber dizer.
*Don quixote - Engenheiros do Hawaii
*Somos quem podemos ser - Engenheiros do Hawaii
*Tecnicolor - os Mutantes
*Labirintos - As Mercenárias
terça-feira, 19 de junho de 2007
Dizem Sem Dizer
Um cego, andando na calçada em frente o shopping Santa Cruz, passa do meu lado com uma camiseta vermelha e um símbolo de uma estrela branca com as letras “PT”.
Uma menina, de uns 7 anos, com a sua mãe, na calçada, esperando algo, e com uma mochila de carrinho rosa e cinza, com um símbolo de olhos sedutores e as palavras “Sexy Machine”.
Um menininho de uns 5 anos com uma camiseta preta com um símbolo de uns 4 caras e a palavra “Ramones”.
Será que estas pessoas sabem o que estão propagando? Será que elas sabem o que significam estes símbolos e estas palavras?
Você sabe o que está escrito naquela sua blusa com umas palavras em inglês? E aquela sua camiseta com um símbolo de um cara com uma boina, você sabe quem foi Che Guevara? O que ele significa pra você?
Símbolos, siglas, marcas.
Símbolos, siglas, marcas.
Símbolos, siglas, marcas.
*hipnotizada*
Pra alguns, eles dizem sozinhos; pra alguns, eles significam muito; pra alguns, eles os consomem.
Uma menina, de uns 7 anos, com a sua mãe, na calçada, esperando algo, e com uma mochila de carrinho rosa e cinza, com um símbolo de olhos sedutores e as palavras “Sexy Machine”.
Um menininho de uns 5 anos com uma camiseta preta com um símbolo de uns 4 caras e a palavra “Ramones”.
Será que estas pessoas sabem o que estão propagando? Será que elas sabem o que significam estes símbolos e estas palavras?
Você sabe o que está escrito naquela sua blusa com umas palavras em inglês? E aquela sua camiseta com um símbolo de um cara com uma boina, você sabe quem foi Che Guevara? O que ele significa pra você?
Símbolos, siglas, marcas.
Símbolos, siglas, marcas.
Símbolos, siglas, marcas.
*hipnotizada*
Pra alguns, eles dizem sozinhos; pra alguns, eles significam muito; pra alguns, eles os consomem.
quinta-feira, 14 de junho de 2007
T
Tudo começa com um olhar. Algumas indiretas, alguns sorrisinhos, o toque... A iniciativa, pode ser conjunta, ou, a partir de um, mas o desejo tem que ser mútuo. O beijo. Esse dá portas a várias coisas. Toques, beijos no pescoço, mordidas, lambidas. Ui! Tudo começa a esquentar, a respiração fica ofegante, molha.
Quando não se tem um lugar propício, talvez as coisas fiquem por aí. Quando se tem, ninguém sabe onde para.
Quando não se tem um lugar propício, talvez as coisas fiquem por aí. Quando se tem, ninguém sabe onde para.
quarta-feira, 13 de junho de 2007
A Parada e a pedagogia da diversidade
Nesse domingo, novamente teremos, na Av. Paulista, a 11ª Parada do Orgulho GLBT (a maior do mundo), trazendo, à principal avenida de São Paulo, em um belo domingo, uma diversidade sexual, de gênero, de gostos e de cultura. E sua principal função será, como sempre foi, arrepiar e chocar toda a sociedade. Dado o formato que esse evento tomou, uma pergunta paira na mente de divers@s militantes dos movimentos sociais e, principalmente do movimento estudantil: É uma manifestação ou uma grande festa?
Acostumados a tomarem as ruas, o Movimento Estudantil, como diversos outros movimentos, tem uma estética de manifestação para mobilizar, atrair e sensibilizar a opinião pública para suas reivindicações. Como se dá essa estética? Milhares de pessoas tomam as ruas, em passeata, com o objetivo de, naquele momento, chamar para si a atenção dos transeuntes, parar o trânsito e causar um impacto visual de modo que a mídia televisiva, principalmente, passe e comente a ação aos seus telespectadores. Além dessa mobilização visual, há também, geralmente, um carro de som, no qual divers@s manifestantes usam o discurso para sensibilização política dos ouvintes, mas, principalmente, para comunicar à sociedade a razão que os levou ali, a razão de sua luta e de todo o processo de mobilização. O discurso feito ao microfone torna-se o instrumento principal para a sensibilização da opinião pública das pautas do movimento e das motivações que os colocam em greve, os fazem manifestar e paralisar durante algum tempo aquele espaço. Acompanhadas dos discursos, seguem as palavras de ordem e as músicas cantadas pel@s manifestantes e toda uma onda de cartazes, bandeiras que apresentam as pautas e a ideologia do movimento.
As Paradas têm em comum a esses movimentos a mobilização, a tomada das ruas e os discursos políticos no microfone com o mesmo objetivo desses movimentos: chamar a atenção da sociedade para si e sensibilizar a opinião pública para sua reivindicação.
Contudo, algumas características estéticas são novas: a primeira, é o abuso nas cores que torna um elemento ideológico do movimento GLBTT; a segunda, diversos trios que tocarão variados estilos de músicas desse universo; a terceira, uma forte estética dos corpos marcados pelo humor, pela graça, pela sensualidade e pelo atrevimento e a quarta característica, incide de modo visual um forte erotismo que vai desde beijos até a manifestação mais pornográfica possível (principalmente ao cair da noite). Algumas dessas características são feitas pelo próprio movimento, outras resultam dessas ações. O movimento atua diretamente na conclamação e organização política e logística do ato, também o colorido é feito por ele, no uso de arcos de bexigas em formato de arco-íris, bandeiras quilométricas e as músicas do gueto GLBTT que tocarão o tempo inteiro. Os resultados dessa organização são exatamente a terceira e a quarta característica apontadas anteriormente. Tais resultados dão um tom a mais à Parada, tirando-a da condição de manifestação tradicional e colocando-a como uma manifestação festiva. Pessoas vão à rua para dançar, festejar, beber e comemorar como qualquer outra festa. Como qualquer outra festa? Eis o elemento diferenciador: toda festa pública é marcada fortemente por uma lógica heteronormativa, casais se beijando, andando de mãos dadas, paquerando-se, festejando juntos... esqueci de dizer... casais héteros. Na Parada, há uma inversão dessa norma, homens se beijando, mulheres se beijando, travestis com os peitos de fora, homens musculosos exibindo seus corpos, drag-queens em todo seu glamour pousando pra diversas fotos e filmagens. Enfim, a “escória” da sociedade cristã vindo às ruas e mostrando seu lado mais humano, mais real e mais bonito pra toda a sociedade.
Há necessidade de nos mantermos naquela pergunta sobre o que é a Parada? Mas alguém pode perguntar: “Cadê os discursos políticos preenchendo a multidão? Cadê as palavras de ordem expressas uníssonas pelos manifestantes?” Devolvo com outra pergunta: no beijo de dois homens totalmente fora dos padrões sociais de mercado, nos amassos carinhosos de duas mulheres fora da estética machista, na beleza e no atrevimento de diversas travestis e transexuais tomando as ruas, no glamour das drag bombando a avenida, precisam ainda de palavra de ordem? E se houvesse, alguém conseguiria prestar a atenção ao mesmo tempo que recebe toda essa onda de informação? Não há nada mais político, pelo impacto e pelo significado, do que essa manifestação da diversidade proporcionada pela Parada. Ela traz o gueto noturno e periférico para a luz do dia, em um domingo, na principal avenida da cidade. Nesse deslocamento, há um rompimento da fragmentação capitalista para o consumo, a medida que essa comunidade toma a Av. Paulista. A Parada consegue ter um discurso próprio tão forte na sua estética, tão revolucionário na sua manifestação que dispensa qualquer discurso verbal. É a quebra dos valores morais dessa sociedade burguesa, é a contradição da contradição acirrada pelo capital contra si mesmo. O caráter revolucionário deve-se ao discurso violento e questionador dos valores da moral burguesa. E nessa prática há um forte exercício pedagógico para a Diversidade.
Quando um militante de qualquer movimento se encontra rodeado por esse universo desconhecido ou pouco habituado, seus valores morais são postos em xeque. O sentimento de contradição é inevitável ao seu olhar de quando se encontra nesse ambiente. Por mais que digamos ou escrevamos sobre a importância do respeito e direito (diga-se direito à vida) à diversidade, nada causa tanto impacto do que a imagem que fala por si mesma. Para o militante que não tem costume de ver casais de homens ou de mulheres se beijando, a sensação é chocante: um verdadeiro sentimento de nojo. Com isso, seus ideais revolucionários são postos em questionamento, à medida que deve ser essa comunidade que ele deverá aprender a respeitar e a conviver. E no choque, e no questionamento, há a prática pedagógica, educando-o para conviver e respeitar a diversidade humana. É exatamente esse papel pedagógico que torna a Parada uma GRANDE FESTA POLÍTICA pelo direito à sobrevivência de diversas travestis, diversos gays, diversas lésbicas vítimas de uma violência verbal, física e psicológica presente no cotidiano. Podemos até concordar que haja alguns problemas políticos que acabam vindo na onda dos dois milhões e quinhentas mil pessoas na rua. Mas não podemos negar o caráter transformador e educativo que a Parada proporciona a quem participa. Por isso convidamos tod@s estarem presente nesse domingo para festejar o direito a vida e o combate ao Racismo, Machismo e Homofobia!
Dário Neto
Acostumados a tomarem as ruas, o Movimento Estudantil, como diversos outros movimentos, tem uma estética de manifestação para mobilizar, atrair e sensibilizar a opinião pública para suas reivindicações. Como se dá essa estética? Milhares de pessoas tomam as ruas, em passeata, com o objetivo de, naquele momento, chamar para si a atenção dos transeuntes, parar o trânsito e causar um impacto visual de modo que a mídia televisiva, principalmente, passe e comente a ação aos seus telespectadores. Além dessa mobilização visual, há também, geralmente, um carro de som, no qual divers@s manifestantes usam o discurso para sensibilização política dos ouvintes, mas, principalmente, para comunicar à sociedade a razão que os levou ali, a razão de sua luta e de todo o processo de mobilização. O discurso feito ao microfone torna-se o instrumento principal para a sensibilização da opinião pública das pautas do movimento e das motivações que os colocam em greve, os fazem manifestar e paralisar durante algum tempo aquele espaço. Acompanhadas dos discursos, seguem as palavras de ordem e as músicas cantadas pel@s manifestantes e toda uma onda de cartazes, bandeiras que apresentam as pautas e a ideologia do movimento.
As Paradas têm em comum a esses movimentos a mobilização, a tomada das ruas e os discursos políticos no microfone com o mesmo objetivo desses movimentos: chamar a atenção da sociedade para si e sensibilizar a opinião pública para sua reivindicação.
Contudo, algumas características estéticas são novas: a primeira, é o abuso nas cores que torna um elemento ideológico do movimento GLBTT; a segunda, diversos trios que tocarão variados estilos de músicas desse universo; a terceira, uma forte estética dos corpos marcados pelo humor, pela graça, pela sensualidade e pelo atrevimento e a quarta característica, incide de modo visual um forte erotismo que vai desde beijos até a manifestação mais pornográfica possível (principalmente ao cair da noite). Algumas dessas características são feitas pelo próprio movimento, outras resultam dessas ações. O movimento atua diretamente na conclamação e organização política e logística do ato, também o colorido é feito por ele, no uso de arcos de bexigas em formato de arco-íris, bandeiras quilométricas e as músicas do gueto GLBTT que tocarão o tempo inteiro. Os resultados dessa organização são exatamente a terceira e a quarta característica apontadas anteriormente. Tais resultados dão um tom a mais à Parada, tirando-a da condição de manifestação tradicional e colocando-a como uma manifestação festiva. Pessoas vão à rua para dançar, festejar, beber e comemorar como qualquer outra festa. Como qualquer outra festa? Eis o elemento diferenciador: toda festa pública é marcada fortemente por uma lógica heteronormativa, casais se beijando, andando de mãos dadas, paquerando-se, festejando juntos... esqueci de dizer... casais héteros. Na Parada, há uma inversão dessa norma, homens se beijando, mulheres se beijando, travestis com os peitos de fora, homens musculosos exibindo seus corpos, drag-queens em todo seu glamour pousando pra diversas fotos e filmagens. Enfim, a “escória” da sociedade cristã vindo às ruas e mostrando seu lado mais humano, mais real e mais bonito pra toda a sociedade.
Há necessidade de nos mantermos naquela pergunta sobre o que é a Parada? Mas alguém pode perguntar: “Cadê os discursos políticos preenchendo a multidão? Cadê as palavras de ordem expressas uníssonas pelos manifestantes?” Devolvo com outra pergunta: no beijo de dois homens totalmente fora dos padrões sociais de mercado, nos amassos carinhosos de duas mulheres fora da estética machista, na beleza e no atrevimento de diversas travestis e transexuais tomando as ruas, no glamour das drag bombando a avenida, precisam ainda de palavra de ordem? E se houvesse, alguém conseguiria prestar a atenção ao mesmo tempo que recebe toda essa onda de informação? Não há nada mais político, pelo impacto e pelo significado, do que essa manifestação da diversidade proporcionada pela Parada. Ela traz o gueto noturno e periférico para a luz do dia, em um domingo, na principal avenida da cidade. Nesse deslocamento, há um rompimento da fragmentação capitalista para o consumo, a medida que essa comunidade toma a Av. Paulista. A Parada consegue ter um discurso próprio tão forte na sua estética, tão revolucionário na sua manifestação que dispensa qualquer discurso verbal. É a quebra dos valores morais dessa sociedade burguesa, é a contradição da contradição acirrada pelo capital contra si mesmo. O caráter revolucionário deve-se ao discurso violento e questionador dos valores da moral burguesa. E nessa prática há um forte exercício pedagógico para a Diversidade.
Quando um militante de qualquer movimento se encontra rodeado por esse universo desconhecido ou pouco habituado, seus valores morais são postos em xeque. O sentimento de contradição é inevitável ao seu olhar de quando se encontra nesse ambiente. Por mais que digamos ou escrevamos sobre a importância do respeito e direito (diga-se direito à vida) à diversidade, nada causa tanto impacto do que a imagem que fala por si mesma. Para o militante que não tem costume de ver casais de homens ou de mulheres se beijando, a sensação é chocante: um verdadeiro sentimento de nojo. Com isso, seus ideais revolucionários são postos em questionamento, à medida que deve ser essa comunidade que ele deverá aprender a respeitar e a conviver. E no choque, e no questionamento, há a prática pedagógica, educando-o para conviver e respeitar a diversidade humana. É exatamente esse papel pedagógico que torna a Parada uma GRANDE FESTA POLÍTICA pelo direito à sobrevivência de diversas travestis, diversos gays, diversas lésbicas vítimas de uma violência verbal, física e psicológica presente no cotidiano. Podemos até concordar que haja alguns problemas políticos que acabam vindo na onda dos dois milhões e quinhentas mil pessoas na rua. Mas não podemos negar o caráter transformador e educativo que a Parada proporciona a quem participa. Por isso convidamos tod@s estarem presente nesse domingo para festejar o direito a vida e o combate ao Racismo, Machismo e Homofobia!
Dário Neto
segunda-feira, 11 de junho de 2007
Por um mundo sem racismo, machismo e homofobia

Gente, muuuuuita gente. Homens, mulheres, crianças, brancos, negros, gays, lésbicas, bissexuais, transexuais, travestis, drags, homens que sentem prazer com homens, homens que sentem prazer com travestis, mulheres que transam com mulheres, mulheres que transam com homens, e mulheres e muitas, muitas outras “combinações” que não conseguimos rotular, nem precisamos. Todos juntos na Parada do Orgulho GLBT.
De cima do trio, dava pra ver o sentimento de liberdade infinita (mesmo que momentânea) e alegria nos olhos das pessoas. Um dia de liberdade livre. Livre de pudores, conservadorismos e moralismos. Piração inexplicável.
“Não sei como vai ser a revolução, mas imagino que seja numa coisa mais ou menos assim” Rodrigo
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